Mathilde numa entrevista reveladora sobre os Objectivos Globais das Nações Unidas / Mathilde in a revealing interview on the United Nations Global Goals

Hoje trago-vos uma entrevista feita à Rainha Mathilde da Bélgica para a revista belga MO Magazine e que chegou até mim por intermédio do blog Queen Mathilde (Rosimeri este blog é para si!). Este blog fez a tradução da entrevista para inglês e eu irei resumir algumas partes que achei muito interessantes.
Today I bring you an interview with Queen Mathilde of Belgium for the Belgian MO Magazine and that came to me through the blog Queen Mathilde (Rosimeri this blog is for you!). This blog made the translation of the interview into English and I will summarize some parts that I found very interesting.
Photos Brecht Goris /MO Magazine

Durante esta entrevista Mathilde fala sobre os Objectivos Globais das Nações Unidas para um Desenvolvimento Sustentável, dos quais é Defensora Oficial. Adorei o que li. Adorei perceber qual a opinião da Rainha belga sobre esta temática e sobre aquilo que ela espera atingir com a sua voz no âmbito da Agenda 2030 das Nações Unidas.
During this interview Mathilde talks about the United Nations Global Goals for Sustainable Development, of which she is the Official Advocate. I loved what I read. I was pleased to see what the Belgian Queen's opinion on this subject is and what she hopes to achieve with her voice under the UN Agenda 2030.

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Para compreender o interesse e envolvimento  de Mathilde no trabalho com os mais desfavorecidos e o seu compromisso social temos que olhar para a própria história familiar da actual rainha consorte belga. A mãe de Mathilde, Anna Komorowska, é uma Condessa polaca que fugiu do regime comunista na Polónia. Durante essa fuga, ela viveu no Congo, onde conheceu a pobreza e a fome. Imagens e vivências que ficaram profundamente marcadas na sua memória, ao ponto de, anos depois e já casada com o pai de Mathilde, o nobre belga Patrick d'Udekem d' Acoz, evitar rigidamente qualquer desperdício alimentar na Casa d'Udekem d' Acoz.
To better understand Mathilde's interest and involvement in working with the most disadvantaged and  her social committed, we have to look at the family history of the current Belgian queen consort. Mathilde's mother, Anna Komorowska, is a Polish Countess who fled from Communist rule in Poland. During her escape, she lived in Congo, where she experienced poverty and hunger. Images and experiences that were deeply marked in her memory, to the point that, years later and already married to Mathilde's father, the Belgian nobleman Patrick d'Udekem d 'Acoz, she rigidly avoid any wasted food in the House of Udekem d' Acoz .

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Desde cedo Anna passou aos seus cinco filhos este profundo sentido de ajuda para com aqueles que têm menos recursos. Talvez influenciada pela sua mãe, Mathilde decidiu aos 18 anos passar as suas férias de Verão no Cairo, onde tencionava trabalhar com Organizações Não Governamentais locais nos bairros mais desfavorecidos da capital do Egipto. Uma decisão que assustou os seus pais, mas que se revelou preponderante para o crescimento de Mathilde. Durante esta estadia Mathilde ajudou a construir escolas locais, ensinou francês e ajudou crianças e caminhou durante horas em estradas poeirentas entre actividades. A Rainha recorda: 
From early Anna passed on to her five children this deep sense of help those who have fewer resources. Perhaps influenced by her mother, Mathilde decided at the age of 18 to spend her summer vacation in Cairo, where she planned to work with local non-governmental organizations in the poorest districts of the Egyptian capital. A decision that frightened her parents, but which proved to be preponderant for Mathilde's growth. During this stay Mathilde helped build local schools, taught French and helped children and walked for hours on dusty roads between activities. The Queen recalls:

"Eu queria ir sozinha. Eu sabia que as possibilidades de conhecer pessoas e abrir-me para as suas experiências seria muito limitada se eu fosse acompanhado por amigos. Ainda me lembro da estrada, da poeira, dos cheiros. Aquele Verão mudou-me e transformou-me  na pessoa que sou hoje"
"I wanted to go alone. I knew that the chance of meeting people and opening up to their experiences would be greatly limited if I was accompanied by a friend. I still remember the road, the dust, the smells. That summer changed me and made me into the person I am today".

Mathilde é terapeuta da fala de formação, mas também estudou psicologia, que concluiu quando já era Princesa da Bélgica e mãe de Elisabeth.
Mathilde is a speech- therapist, but she also studied psychology, which she finished when she was already Princess of Belgium and Elisabeth's mother.

"Nunca tive a oportunidade de trabalhar enquanto psicóloga, mas eu posso usar os meus conhecimentos no meu trabalho com a UNICEF ou nos projectos que apoio sobre educação e saúde mental. Os meus encontros mais recentes em Deli, Índia, relembraram-me de um encontro que tive em Mumbai, há 10 anos atrás. Falei com uma mãe que viajou centenas de quilómetros para falar comigo da forma como os micro-créditos mudaram a sua vida, possibilitando que o seu filho pudesse estudar. Nunca esquecerei os olhos daquela mulher.
"I've never had the chance to work as a psychologist, but I can use the insights I gained in my work for Unicef, or in projects that support education and mental health care. My recent encounters in Dehli reminded me of another meeting I had in Mumbai, 10 years ago. I spoke to a woman who had travelled hundreds of kilometers, she talked to me about the way microcredits had changed her life. They had enabled her son to study. I will never forget that woman's eyes".
Photos Brecht Goris /MO Magazine

No decorrer desta entrevista, realizada no Palácio Real em Bruxelas, abordar as diferenças entre ricos e pobres pode ser, no mínimo, desconfortável. Mas, aparentemente, não para Mathilde. A Rainha belga parece saber muito bem o que deve ter presente para actuar da melhor maneira, apesar das diferenças entre a instituição que representa e as pessoas que quer ajudar:
In the course of this interview, held at the Royal Palace in Brussels, addressing the differences between rich and poor can be at least uncomfortable. But apparently not for Mathilde. The Belgian Queen seems to know very well what she must have in mind to act in the best way, despite the differences between the institution she represents and the people she wants to help:

" As pessoas dão-me verdadeiras lições de esperança e resiliência. Eu apenas dou aquilo que consigo de todo o meu coração: tempo, dedicação e dignidade. Confrontar-me com diferentes realidades num determinado momento, transforma uma pessoa necessitada numa pessoa real com um passado e um futuro. E acima de tudo: essa pessoa transforma-se em alguém com dignidade humana. É por isso que eu sempre digo aos meus filhos para olharem directamente para as pessoas quando as cumprimentam. É uma maneira de reconhecer a dignidade de alguém."
"People give me true lessons of hope and resilience. I give only what I can with my whole heart: time, dedication and dignity. Facing myself with different realities at a given moment, transforms a needy person into a real person with a past and future. Above all, this person becomes a person with human dignity. That is why I always tell my children to look directly at people when they greet them.  It is a way of recognizing someone's dignity."

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Esse tempo, essa dedicação e essa dignidade fazem com que Mathilde queira conhecer a realidade, ou pelo menos uma parte da realidade, em parte controlada, durante as várias visitas humanitárias a locais como a Libéria, Haiti, Laos, Índia ou Gana.
This time, this dedication and this dignity makes Mathilde want to know the reality, or at least a part of the reality, a controlled part, during the several humanitarian trips to places like Liberia, Haiti, Laos, India or Ghana.

"Eu posso falar sobre pobreza ou sub-desenvolvimento, mas é realmente diferente "viver" a realidade. Testemunhá-la com os nosso próprios olhos. Faz com que reconheçamos que a pobreza não é um acidente passageiro. A pobreza limita o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças para o resto das suas vidas. Investir em alimentação para as crianças é um investimento na economia de um país. Compreender isto é comprometer-nos mais com a causa."
"I can talk about poverty and underdevelopment, but it's really different to experience reality. To witness it with your own eyes. It makes you fully realize that poverty isn't a passing accident. It undermines the physical and even cognitive development of children for the rest of their lives. Investing in food for children is an intelligent investment in a country's economy. Realizing this means you can commit a lot more to the cause."

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Antes de ser convidada pelo então Secretário Geral das Nações Unidas Ban Ki-Moon, para ser defensora dos Objectivos Globais, Mathilde já tinha trabalho realizado nos seus principais campos de interesse: crianças, educação, desenvolvimento, saúde mental e direitos das mulheres e meninas. Este trabalho é reflexo de uma extensa pesquisa e de várias reuniões com ONG's nacionais e internacionais. Mathilde confessou sentir-se honrada pelo convite porque 2030 está à porta. E a mudança tem que ocorrer agora. Segundo Mathilde o período para declarações já passou. Agora é momento de implementar os acordos.
Olhando para o trabalho desenvolvido por Mathilde é fácil perceber que os Objectivos Globais que lhe são mais próximos são o 3,4 e 5, respectivamente "Saúde e bem-estar para todos", "Educação de qualidade para todos" e "Igualdade de Género". Mas segundo a Rainha belga, todos os Objectivos são importantes:
Before being invited by the former UN Secretary-General Ban Ki-Moon to be an Advocate for the Global Goals, Mathilde already had work done in her major fields of interest: children, education, development, mental health and the rights of women and girls. This work is a reflection of an extensive research and of several meetings with national and international NGOs. Mathilde confessed to being honored by the invitation because 2030 is at our doorsteps. And the change has to take place now. According to Mathilde the period for declarations has passed. Now is the time to implement the agreements.
Looking at the work developed by Mathilde, it is easy to see that the Global Objectives that are closest to her are the numbers 3, 4 and 5, respectively "Health and well-being for all", "Quality education for all" and "Gender Equality ". But according to the Belgian Queen, all the Goals are important:

WEF Davos 2017 : Sustainable Development Goals
Educatie en mentale gezondheid als prioriteiten in de Duurzame Ontwikkelingsdoelstellingen (WEF Davos). Éducation et santé mentale, priorités pour les Objectifs de Développement Durable (Forum de Davos). Education and mental health as priorities in the Sustainable Development Goals (WEF Davos).
Publicado por Belgische Monarchie Monarchie belge Belgian Monarchy em Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017
"Sem excepção, cada um dos 17 Objectivos é importante. Estes objectivos mudam o diálogo entre Norte e Sul, com mudanças necessárias no Sul. Falamos agora numa história mais inclusiva, mais universal onde cada um de nós é responsável pelo futuro que temos em comum. O mundo desenvolvido torna-se um actor real, e o mundo dos negócios é chamado a tomar parte desta responsabilidade. Temos que ser congruentes. Temos que agir de acordo com aquilo que pregamos. Intuitivamente a geração mais nova está mais consciente e mais sensível sobre a Agenda 2030 e eles sabem que o seu contributo não tem que ser massivo, desde que seja real. A questão é: estamos nós a dar-lhes visibilidade suficiente? "
"Without exception, each of the 17 Goals is important. These goals change the dialogue between North and South, with necessary changes in the South. We now speak of a more inclusive, more universal history where each one of us is responsible for the future we have in common The developed world becomes a real actor, and the business world is called to take part in this responsibility. We have to be congruent. We have to act according to what we preach. Intuitively the younger generation is more aware and more sensitive about Agenda 2030 and they know their contribution does not have to be massive as long as it's real. The question is: are we giving them enough visibility? "

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Nesta questão sobre o papel das gerações mais novas, Mathilde, enquanto mãe de 4 adolescentes, não é indiferente a toda e qualquer oportunidade que ache relevante para que os seus filhos tomem consciência das diferentes realidades e aprendam histórias de resistência do passado de pessoas fortes que têm muito para nos ensinar. Mathilde conta a história sobre a ocasião em que levou os seus quatro filhos para uma viagem de 700km até França para conhecer uma senhora idosa que aos 16 anos foi enviada para Auschwitz, onde perdeu toda a sua família durante a Segunda Guerra Mundial. Mathilde quis que os seus filhos ouvissem a sua história de ....esperança:
About the role of the younger generations, Mathilde, as mother of four adolescents, is not indifferent to any opportunity she finds relevant so that her children become aware of different realities and learn about the past with stories of resistance from strong people who have much to teach us. Mathilde tells the story about the time she took her four children on a 700km trip to France to meet an elderly lady who was sent to Auschwitz at the age of 16, where she lost all her family during World War II. Mathilde wanted his children to hear her story of .... hope:

"Eu vi o Inferno", a senhora disse-nos. "Mas mesmo no Inferno, a humanidade existe e sobrevive. Uma mulher moribunda deu-me o seu pão e ordenou-me que sobrevivesse." Ela também nos disse que o seu pai, antes da Guerra nunca lhe perguntava pelos resultados na escola. Em vez disso, ele perguntava se ela tinha feito as perguntas certas na escola, nesse dia. Ela assegurou aos meus filhos: "Isso é a coisa mais importante que vocês podem aprender enquanto crianças, adolescentes ou seres humanos: fazer a perguntas certas.
"I've seen hell", the lady told us. "But even in hell humanity exists and survives. A dying woman gave me her bread and ordered me to survive." She also told us how her father, before the war, never asked about her school results. Instead he asked if she has asked the right questions in class that day. She assured my children: "That's the most important thing you can learn as a child, a teenager, a human being: to ask the right questions."

Fazer as perguntas certas. Já ouvi dizer que não estamos nesta vida para encontrar todas as respostas. Mas sim para fazermos as perguntas certas: Quem sou? O que quero? O que me faz feliz? O que fiz hoje para melhorar o dia de outro ser humano? O que fiz hoje para contribuir para um planeta melhor? Como quero quer tratado? Como quero ser lembrado quando aqui já não estiver? Se morrer hoje, o meu trabalho perdurará no tempo?
Ask the right questions. I have heard that we are not in this life to find all the answers. But to ask the right questions: Who am I? What I want? What makes me happy? What have I done today to improve the day of another human being? What have I done today to contribute to a better planet? How do I want to be treated? How do I want to be remembered when I'm gone? If I die today, will my work last?
Photos Brecht Goris /MO Magazine

Eu sei que isto é um blog de realeza, mas se através dele, muitos de vós já souberem o que são os Objectivos Globais das Nações Unidas para um Desenvolvimento Sustentável e se alguns de vocês até já leram sobre o assunto através do blog, eu considero que fiz pelo menos uma pergunta certa. Profissionalmente estou a trabalhar neles. Pessoalmente eles vivem em mim. Em parte porque acredito nas palavras da Mathilde que a motivam nesta missão que reúne Governos, Sociedade e Empresas.
I know this is a royalty blog, but if through it many of you already know what the United Nations 's Global Goals for Sustainable Development are and if some of you even read about it through the blog, I think I asked at least one right question. Professionally I'm working on them. Personally they live in me. Partly because I believe in Mathilde's words that motivate her in this mission that brings together Governments, Society and Companies.

"Juntos podemos fazer  a diferença. Juntos podemos colocar a nossa energia e encorajar outros a unirem-se nesta causa."
"Together we can make a difference. Together we can put our energy and encourage others to unite in this cause."
E não consigo expressar o quão maravilhoso é quando uma paixão e um propósito se unem num ser humano. Sinto isso a cada dia mais e espero, mesmo que de uma forma leve, passar esse sentimento maravilhoso que sinto para vocês! Nunca gostei tanto de realeza como agora, porque me apercebi que todos podemos ser nobres numa causa.
And I can not express how wonderful it is when passion and purpose unite in a human being. I feel this every day more and more and I hope, even if in a light way, to pass on that wonderful feeling that I feel for you! I've never liked royalty as much as now, because I realized that we can all be noble in a cause.

Comentários

  1. Querida Lurdes!!
    Sempre disse à você o quanto admiro a Rainha Mathilde e essa
    admiração tem origem nas atitudes e atividades que ela desempenha!!
    Ela se preocupa com o social como um todo, com os menos favorecidos
    expostos a situações de vulnerabilidade, com as crianças que vivem uma
    vida de exclusão e um futuro sem perspectivas!!
    Diante de tudo isso, ergue sua voz para dar visibilidade a essas realidades
    em busca de justiça social, de oportunidades para todos e de um mundo
    mais fraterno e comprometido com igualdade!! Ela educa seus filhos com
    exemplos, preparando-os para serem pessoas comprometidas em melhorar
    a sociedade na qual estão inseridos!!
    Ela tem um olhar meigo e um sorriso doce!! Um olhar sem arrogância e sem
    prepotência!! Um olhar humilde e de respeito pelo outro!! E para mim, quem
    olha o outro com humildade é quem possui um coração generoso!! É quem é
    capaz de se doar a ponto de oferecer ao outro ESPERANÇA!!
    Fiquei imensamente feliz por você ter se referido a mim neste post!!
    Quero dizer que conheço o blog Queen Mathilde!! É através dele e do seu blog
    que obtenho informações sobre esta Rainha maravilhosa chamada Mathilde!!
    Parabéns a você por sua sensibilidade e delicadeza, que diariamente empresta
    às palavras !! Um grande abraço!! Com todo meu carinho !!

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    Respostas
    1. Muito obrigada pelas suas palavras. De certa forma foi graças à Rosimeri e ao amor com que fala sobre Mathilde que eu também fiquei mais atenta ao trabalho desenvolvido por esta rainha. Cada vez que escrevo sobre Mathilde penso na Rosimeri e em como vai ficar feliz por ler sobre Mathilde.
      Agradeço-lhe muito por isso! E por sempre me alegrar o dia com as suas palavras tão positivas, tão generosas, tão doces.
      Um grande abraço.
      Lurdes

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